Posts made in March, 2013

Sobre arroz japonês, temakis abertos e infância

É assim que funciona. Um temaki, aberto, sem a alga.

É assim que funciona. Um temaki, aberto, sem a alga.

por Ricardo Oliveira

É algo infantil e a explicação é fácil. Mas não será curta, claro.

Assisti muita sessão-da-tarde e vi muita gente comendo arroz com ohashi nos filminhos e desenhos animados. A gente entendia que era um desafio impossível, já que o arroz brasileiro é aquele soltinho, refogado. No máximo, aqui pelo Nordeste, a gente comia um arrozinho de leite com carne de sol e… Para tudo. O post é sobre temaki aberto.

Sério, eu cresci com essa coisa de querer comer arroz à japonesa, com ohashi. Guardei pra mim, mas a família sabe que desde os 8 anos eu pratico o uso dos sticks. Coisa de menino doido. Até demorei pra aprender a gostar de comida japonesa. Tinha agonia dessa coisa de comida crua. Continuo curtindo mais os flambados e fritos do que os semi-vivos, mas às vezes também vão pro papo.

A vontade era grande, mas não organizei a situação por falta de possibilidades. Com toda essa moda de sushis e temakis por aqui, pouco se dá atenção às outras possibilidades da culinária japonesa. Justamente aquela que eu via nos filmes na infância. Comer arroz.

[E arroz é um capítulo à parte pra mim, que merece futuro post. Arroz branquinho, bem, bem branquinho].

Um arroz que ~acompanha~ a comida ao invés de apenas enrola-la

Um arroz que ~acompanha~ a comida ao invés de apenas enrola-la

A primeira experiência então, foi despretensiosa e inesperada. Em São Paulo, conheci a rede Gendai. Esse interessante japonês-de-shopping tem opções de sushis, temakis, sashimis, mas também pratos quentes onde o arroz acompanha a carne e os legumes, ao invés de enrola-los. Delícia.

Isso tudo pra dizer que em João Pessoa eu descobri a possibilidade de algo parecido:

Temaki aberto.

A dica foi involuntária, via Facebook. Esse aí da foto acima de chama Ame Sake e está disponível no Temaki da Vila. O lugar é um dos meus preferidos na cidade (ps.: eu e Carol estamos nos organizando para listas 2013 onde faremos listas e, uma delas, será relacionada às temakerias pessoenses). Gosto da decoração e dos temakis de lá, que ainda conta com preços convidativos.

O Ame Sake é um temaki de salmão grelhado, com arroz e molho de laranja. O combo é pura alegria e a versão aberta é incrível. Vem bem mais que um temaki normal e são acrescidos, neste caso, 4 reais a mais no valor original (11,90). A quantidade é de uma refeição bem legal e vale até por um almoço, por exemplo. Por lá, o salmão vem no ponto, sem estar borrachudo e o arroz é uma delícia. Já provei duas vezes e decidi que ele não deve vir com o cream-cheese, que é opcional, mas a cebolinha deve permanecer. O molho de laranja poderia ser um pouquinho mais generoso e o shoyo com wasabi acompanha bem demais.

É, eu sei.

Tudo isso só pra dizer que gosta de comer arroz com palitinho japonês. Exatamente.

Ficam então, duas perguntas:

- Qual a sua vontade magalinesca ainda não realizada?
– Você sabe de outros lugares de João Pessoa que tenham pratos quentes japoneses, que tragam o arroz assim?

Temaki da Villa
Av. Pres. Epitácio Pessoa, 5200 – Cabo Branco, João Pessoa – PB
(83) 3247-8000

PS.: é importante ressaltar que o arroz japonês favorece o uso do ohashi e, sabendo o básico de seu uso, é praticamente como comer com garfo.

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Na estrada: um crepe do Tangerina, no Aeroporto de Guararapes (PE)

Tangerina é boa opção no Aeroporto Guararapes (PE), com sanduíches, crepes e saladas

por Carol Marques

Comer em aeroporto não é a coisa mais agradável do mundo, né? Embora a situação reúna dois dos maiores prazeres da vida – comida e viagem -, a experiência costuma ser decepcionante, além de custar 2 ou 3 vezes o que merece. Pra piorar, quase sempre há pouca diversidade e você acaba atracado a um pão de queijo requentado, um sanduíche sem qualquer capricho ou uma pizza amarrotada.

Por isso venho aqui compartilhar brevemente uma surpresa que tive no Aeroporto de Guararapes. O Tangerina, na praça de alimentação, é o lugar de quem quer comidinhas saborosas e saudáveis na espera por um voo. Crepes, sanduíches, saladas, sucos. Não vá esperando a qualidade mais top do planeta. Continua sendo um restaurante de aeroporto, tá? Mas já alegra muito quem está acostumado com as habituais ofertas.

A minha pedida foi o crepe Copacabana (ou era Ipanema? rs) com massa de espinafre. O recheio: camarões temperados com alho, mix de queijos, tomate e molho de ervas.

Além da que pedi, você tem como alternativa para a massa os sabores cenoura, açafrão e integral. Os sanduíches também oferecem uma boa variedade de pães: australiano, italiano, espinafre, tomate, integral e ciabata.

Dá uma olhada no close e diz se você não espera feliz algumas horas pós check-in?

Detalhe do crepe com massa de espinafre.

Detalhe do crepe com massa de espinafre.

Tangerina
Aeroporto Internacional dos Guararapes – 2º Piso
Praça Ministro Salgado Filho, s/n, Imbiribeira, Recife/PE
Fone: (81) 3461.4299

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Na Estrada: Moustache Coffee House, em Porto

Um dos ambientes do Moustache (foto da fan page da cafeteria)

por Ricardo Oliveira

Para terminar as dicas portuguesas, fica uma rapidinha. Para quem estiver de passagem pela belíssima Porto, a dica não é só conhecer os vinhos, mas um café sensacional. O Moustache Coffee House fica perto da reitoria da Universidade do Porto, uma região bem conhecida. Aliás, vizinho tem um outlet da Pull & Bear, que vale a pena conhecer.

O Moustache tem um clima lúdico e moderno. Lúdico pelo bom humor e a decoração cheia de espelhos, fazendo o lugar se ampliar e, ao mesmo tempo, criar um clima surreal (de leve, ainda tem imagens de Salvador Dali pelo ambiente). Moderno, porque está em prédio antigo, cercada de igrejas históricas seculares, com janelas que preservam a arquitetura histórica do prédio, mas com poltronas e detalhes do interior em outro clima.

O clima é agradabilíssimo, o espresso também e essa torta que tem chocolate, crocante, red velvet e doce de leite…nem se fala.

Uma incrível torta, de jeitinho “brasileiro”, com chocolate, crocante, red velvet e doce de leite. Já falei incrível?

A decoração bem-humorada do lugar.

Detalhes da decoração e o blogueiro feliz com a descoberta.


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Moustache Coffee House
Praça Carlos Alberto, n.º 104 , Porto

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Na estrada: doces de Portugal ou a terra das pastelarias do “fabrico próprio”

A brisa portuguesa, com certeza...

A brisa…

por Ricardo Oliveira

Os portugueses não são apenas bons de doce. Eles são bons de dar nome aos doces. Preciso pesquisar, mas a princípio parece não fazer sentido. Travesseiro, seminarista, brisa. A curiosidade é atingida não apenas pelo visual incrível (tem cara de açúcar), mas também por esses nomes peculiares, cheios de possibilidades religiosas, fluviais ou caseiras.

E todo mundo diz que doce português tem muito ovo. É tudo feito de ovo! Absurdo, disse a amiga brasileira Aline, que me acompanhou pelas ruas de Lisboa no começo de dezembro. Seu esposo, o português David, tinha defendido com vigor e ela me repassou: mas todo doce é feito com ovo! É assim, para o português. Todo doce vai ter um amarelinho. Aquele creme de padaria/pastelaria que a gente conhece aqui no Brasil numa textura mais gelatinosa, geralmente presente nos pães doces. É outra coisa.

Tudo por lá, ou ao menos o que me chamou mais atenção, é feito com massa folhada e o tal creme de ovo. E é tudo incrível, especialmente por serem doces grandes – sim, lembre-se que você está lendo um relato não apenas magalinesco, mas formiguístico. A porção individual é generosa em tamanho, mas por causa da massa não pesa muito.

Passei por outros lugares do velho continente, mas só em Porto e Lisboa consegui provar grande variedade. A conta por lá é menos salgada, com o perdão do trocadilho. A tradição das pastelarias (padarias) portuguesas é incrível. Toda esquina tem uma e isso faz o custo baixar. Em todas elas está escrito:

“Fabrico próprio”, indicando que aquele lugar produz os próprios doces.

Numa delas, me deparo com a mesma inscrição de sempre, com um detalhe a mais, logo abaixo:

“Consigo, desde 1895″.

De pronto, desorientado e brasileiro, em pensamento parabenizo o dono do lugar:

- Parabéns por conseguir fazer doces desde o século 19.

 

A brisa portuguesa, na visão "interna"

A brisa portuguesa, na visão “interna”

Uma torta "são alguma coisa"...

Uma torta “são alguma coisa”…

O seminarista – mais rápido, feito para tomar com um cafezinho.

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Sobre

Magali com Cebolinhas é um caderno de pequenas gordices, descobertas e felicidades gastronômicas. Sem especialistas, o blog é formado por gente que gosta de comer - e isso é o bastante. Saiba a origem do nome do blog aqui. magali@diversita.com.br

Carol Marques


Carol Marques sempre teve cara de Luluzinha, mas tem apetite de Magali. Nunca dispensa a sobremesa e está sempre em busca do lugar perfeito para comer bem.

Ricardo Oliveira


Ricardo Oliveira é cinéfilo e formiga. Para ele, tudo que pode deve ter bastante açúcar: café, suco e até os doces devem ser bem doces. É do tipo que passa mal de alegria quando descobre uma nova sobremesa perfeita.