Carnes

Na Estrada: costelas boas que nem as de Adão, em Bondi Beach

por Carol Marques

A promessa do dia era comer uma costela à moda australiana para entender se as famosas “Ribs on the barbie” do Outback (restaurante) faziam jus à tradição, se é que podemos chamar assim. Não, a famosa rede de steakhouses não é originária da terra dos cangurus; trata-se apenas de inspiração dos americanos bons de business.

Depois de uma longa e transcendente caminhada, que durou horas, começando em Coogee e passando por meia dúzia de praias inesquecíveis com piscinas de água salgada que margeiam o mar e invejáveis varandas para a imensidão azul do Pacífico, chegamos ao destino – a badaladinha Bondi Beach – e fomos em busca do restaurante indicado: o Hurricane’s Grill. Vale dizer que o que nos levou até ele foi o Urbanspoon, sistema que eu conheci por acaso fazendo buscas sobre Sydney e recomendo muito. Funciona com site e aplicativo, e sugere restaurantes de acordo com vários critérios. Nesse dia, usei localização e tipo de comida (eu estava determinada a provar ribs bem suculentas).

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O que encontramos foi algo sublime. Simplesmente as costelas mais ma-ra-vi-lho-sas da minha vida! Se Deus foi tão perfeito em matéria de criação de costelas, já que as de Adão originaram os seres mais espetaculares do planeta, ele certamente fez também um belo serviço com os colegas suínos, sobretudo os que são servidos na Aussieland.

Nosso pedido foi ‘pork ribs with baked potato’ (costelas de porco com batatas assadas no forno). As costelas são marinadas com tempero especial, segredinho da casa, e depois servidas com molho barbecue. E as batatas vêm simples, com cebolinhas apenas, e um potinho de sour cream que deixa tudo ainda mais sensacional.

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Para dar ainda mais carinho ao estômago, pedimos um superpão com manteiga de alho. E pão de alho, meu amigo, é algo que aquele povo sabe fazer, isso precisa ser dito. Veja a foto e tente imaginar o gosto dessa maravilha. Posso garantir que é, por baixo, três vezes melhor do que parece.

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Fechando a refeição com estilo, pedimos umas garrafinhas de alegria líquida com o nome de Crown Lager (para os íntimos, uma crownie). E aí, amigo gourmet, só nos restava brindar. Porque há dias em que a vida nos prova que ela pode ser boa demais.

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Roccia – contemporâneo que não encanta só os olhos

Por Carol Marques

Hoje falo de uma agradável surpresa que desembarcou no extremo oriente no finalzinho de janeiro! Tive o prazer – um caldeirão cheio dele! – de ir ao almoço que o novo restaurante Roccia realizou para se apresentar à imprensa. A expectativa já era das melhores, pois sempre achei de muita qualidade o buffet da Casa Roccia, salão de recepções do mesmo dono – o admirável Onildo, que é também é chef e assina o fantástico cardápio.

Mas o local ainda conseguiu surpreender, em meio a tantos restaurantes decepcionantes abertos em JP nos últimos meses, que capricham na decoração, no conceito e até no design do cardápio – algo que me encanta e pauta para outro post -, mas pecam justamente na hora em que entram em cena as facas, o fogo e a sutileza dos temperos. Roccia não, ou pelo menos não no primeiro encontro.

Mas vamos aos pratos. Opa, antes faço questão de garantir: o sabor foi tão apetitoso quanto a apresentação sugere, você tem a minha palavra. Melhor do que descrever é mostrar fotos:

Couvert:

Grissinis, manteiga aromatizada com ervas, pérolas de frutas secas com queijo gorgonzola e pó de bacon, poá de bacalhau com azeitonas negras e lâminas de amêndoas.

Foto: Estilo Voilà

Entradas:

Ceviche de Atum ao Leite de Tigre

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Bolinho de Feijão Verde Recheado com Carne de Sol, Natas e Vinagrete

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Pratos principais:

Lagosta Grelhada com Risoto de Abacaxi e Gruyère e Torteline de Ossobuco ao Molho de Vinho do Porto (só lembrei da foto após a primeira garfada! rs).

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E o melhor de todos, Carré de Cordeiro em Crosta de Ervas com Purê de Batata Doce:

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 Nesta hora, você pode estar pensando que não gosta muito dessa história de cozinha contemporânea, com “porções pra passarinho” e ingredientes exóticos. Ok, ok, tudo bem… se é assim, talvez não seja o caso de você ir lá, sendo bem sincera. Mas quem curte comer num lugar em que comida é tratada como arte, principalmente no quesito sabor, precisa visitar o novo espaço!

Para fechar o menu, todo restaurante bom que se preza deve ter opções interessantes de sobremesa, certo? Afinal, uma refeição precisa terminar em açúcar. Do contrário, o humor não é o mesmo e a ansiedade atinge níveis insuportáveis.

Com vocês: Caixinha Surpresa de Bolo de Rolo e Sorvete, Profiteroles de Café e Cartola Crumble.

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Agora, outro ângulo:

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Roccia – Cozinha Contemporânea
Av. Cabo Branco, 4542 – Hotel Cabo Branco Atlântico, João Pessoa.
(83) 8827-7480

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Dica rápida para um almoço feliz na Sonho Doce: alcatra e um molho especial

Calma, escorre a baba. Clique na foto para ampliar, ver com zoom e deixar tudo ainda mais tenso.

por Ricardo Oliveira

Às vezes me parece que ainda é novidade pra muita gente que a Sonho Doce tem um restaurante à la carte. Pois é, ela não vive só dos seus famosos doces.

O cardápio é bem variado e salgado. O preço das carnes vermelhas bate o Tererê, por exemplo. Enquanto na praia você come um filé com 2 acompanhamentos bem servidos por 27, 28 reais, na Sonho Doce eles iniciam em 29 e podem até passar disso. Lá, para reduzir ainda mais o custo-benefício, as guarnições estão longe da ideia de bem servidas.

A dica é rápida, porém, porque recentemente voltaram a acertar no ponto de preparo dos cortes que servem.

Gosta de carne vermelha? Almoce por lá a alcatra do cardápio, vá nos acompanhamentos que desejar (na foto tem feijão verde, arroz de leite e batatas sauté) e escolha como molho de acompanhamento da carne o catupiry com ervas.

Não tem erro. Vá por mim. O único porém da jogada é que nem sempre a alcatra está molinha, o que às vezes vai exigir mais do seu maxilar. Mas se você quer moleza, peça uma tilápia, por gentileza.

Jogue o molho por cima da carne e do feijão verde e seja feliz. Essa tal combinação de queijo e ervas deles é uma coisa séria.

O prato sai por 21 dilminhas felizes.

Sonho Doce
Praça da Independência
Tambiá, João Pessoa

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Na Estrada: Entre Amigos – O Bode, em Recife

Por Carol Marques

Fim de semana em Recife, retornei a um lugar que já conhecia, mas cujos detalhes haviam me escapado: o famoso Entre Amigos, o Bode. E pra contrariar, como eu adoro, já começo comentando algo que não tem nada a ver com caprino, mas que é o meu destaque neste post.

Falo do petisco que saboreei como entrada, o Espetinho de Camarão. Intercalado com queijo, é provavelmente o empanado mais saboroso que já comi na vida. Camarões grandes selecionados e levemente rosados, cubos de queijo macio e derretido, tudo junto e misturado, frito na medida certa e servido numa porção generosa. Olhe e deseje:

Pra não dizer que não falei do animal cultuado no recinto, esse resistente mamífero que tem também seu lado gourmand, diga-se de passagem, já que come até cactos, meu prato principal foi o Filé de Costela de Bode Assado, que é uma delícia, mas não posso chamar de inesquecível. Vem com os acompanhamentos tradicionais da culinária nordestina: arroz branco, feijão, paçoca, macaxeira, pirão de queijo.Tudo muito bom, nada fenomenal, insisto.

 

Para fechar, uma fatia de Torta Reprise, já que o domingo era de todos os excessos tirando o atraso de tantos almoços sem doce. E foi aquela torta correta, confeitada com elegância e simplicidade, e de sabor normal, nada mais do que isso. Mas chocolate, mesmo quando é normal, é coisa de Deus. Então posso dizer que saí satisfeita da vida.

Mas, amigo bom garfo, não se desanime com meus comentários mornos a respeito do bodinho. Vá ao local sem hesitar. O cardápio é enorme. Há dezenas de opções de preparo pro caprino, de entradas, de petiscos, de sobremesas. Certamente você descobrirá outras delícias que não tive a oportunidade de provar. E o ambiente é ótimo para tomar uma cervejinha ou almoçar com a família.

Uma última colher de sinceridade… eu mudaria a música. Pode me chamar de preciosista, mas violino – ao vivo – tocando “La Vie en Rose” num bar/restaurante regional não é o que eu chamo de experiência completa. Tudo bem, foi broxante de novo, né? Não presta muita atenção. Lê de novo meu comentário sobre o camarão e coloca no seu roteiro gastronômico recifense. Você vai se sentir feliz por um dia ter lido este post.

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Na estrada: Joelho de Porco, na Cachaçaria do Dedé, em Manaus

Por Carol Marques

Foto: Carol Marques

Depois de uma semana na Amazônia, comendo peixe de manhã, de tarde e de noite, eis que encontro no meio do cardume nada menos que um joelho de porco defumado como opção de delícia gourmet para variar o cardápio.

Embora tenha resistido no começo, com dificuldade de associar essa articulação do suíno das lamas à ideia de sabor irresistível, terminei por me render à curiosidade de provar a especialidade da Cachaçaria do Dedé que, pelo ambiente, mostrava-se bastante convincente. Sei que a apresentação que você vê na foto não contribui para a minha credibilidade, mas a verdade é que o prato foi uma gratíssima surpresa manauara.

Sabe aquela sensação maravilhosa da faca que perfura uma capa crocante e encontra carne macia e suculenta? Foi exatamente isso! Tempero no ponto, assamento perfeito, “pururucada” de virar os olhos.

Não espere muito dos acompanhamentos. Nada de especial na dupla bicolor arroz branco e farofa amarelinha. Mas a carne vale tanto que você pode fechar os olhos (e abrir a boca) pra isso.

Parêntese, porque não sei viver sem ele: (o joelho de porco é tradicional na culinária alemã e você pode encontrá-lo nos menus da vida com o nome original: eisbein). Ok. foi curtinho.Voltando…

Foto: Carol Marques

Para os amantes da boa cerva, o local tem uma carta generosa de opções nacionais e internacionais. E a combinação é perfeita! Mas ei, é pecado sair do local sem tomar uma pinga – estamos numa cachaçaria, hein? A seleção de águas que passarinho não bebe ultrapassa os 800 rótulos, incluindo a branquinha paraibana Serra Limpa. E há drinks bem bacanas, como o caipilé. Não, caro campinense, não é homenagem ao músico da terrinha. Trata-se, na verdade, de uma mistura maravilhosa de capirinha com picolé. A que pedi era de morango com kiwi e picolé de abacaxi. A dose não é para os fracos, é bom alertar (tá, tá, confesso que bati pino).

A Cachaçaria tem dois endereços na capital amazonense. Fui à que fica no Manauara Shopping, cuja praça da alimentação é a mais linda que já vi na vida, com um incrível jardim-floresta e mesas ao ar livre.

Foto: Jordan Brandon

Não posso me esquecer de mencionar que cheguei ao Dedé graças à sugestão de um guia do Tree Climbing. E conversar com os guias, assim como com os taxistas, sobre dicas gastronômicas é algo que adoro fazer e que costuma render boas descobertas. Que venha a próxima!

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Sobre

Magali com Cebolinhas é um caderno de pequenas gordices, descobertas e felicidades gastronômicas. Sem especialistas, o blog é formado por gente que gosta de comer - e isso é o bastante. Saiba a origem do nome do blog aqui. magali@diversita.com.br

Carol Marques


Carol Marques sempre teve cara de Luluzinha, mas tem apetite de Magali. Nunca dispensa a sobremesa e está sempre em busca do lugar perfeito para comer bem.

Ricardo Oliveira


Ricardo Oliveira é cinéfilo e formiga. Para ele, tudo que pode deve ter bastante açúcar: café, suco e até os doces devem ser bem doces. É do tipo que passa mal de alegria quando descobre uma nova sobremesa perfeita.