#magalizando em João Pessoa

Sobre arroz japonês, temakis abertos e infância

É assim que funciona. Um temaki, aberto, sem a alga.

É assim que funciona. Um temaki, aberto, sem a alga.

por Ricardo Oliveira

É algo infantil e a explicação é fácil. Mas não será curta, claro.

Assisti muita sessão-da-tarde e vi muita gente comendo arroz com ohashi nos filminhos e desenhos animados. A gente entendia que era um desafio impossível, já que o arroz brasileiro é aquele soltinho, refogado. No máximo, aqui pelo Nordeste, a gente comia um arrozinho de leite com carne de sol e… Para tudo. O post é sobre temaki aberto.

Sério, eu cresci com essa coisa de querer comer arroz à japonesa, com ohashi. Guardei pra mim, mas a família sabe que desde os 8 anos eu pratico o uso dos sticks. Coisa de menino doido. Até demorei pra aprender a gostar de comida japonesa. Tinha agonia dessa coisa de comida crua. Continuo curtindo mais os flambados e fritos do que os semi-vivos, mas às vezes também vão pro papo.

A vontade era grande, mas não organizei a situação por falta de possibilidades. Com toda essa moda de sushis e temakis por aqui, pouco se dá atenção às outras possibilidades da culinária japonesa. Justamente aquela que eu via nos filmes na infância. Comer arroz.

[E arroz é um capítulo à parte pra mim, que merece futuro post. Arroz branquinho, bem, bem branquinho].

Um arroz que ~acompanha~ a comida ao invés de apenas enrola-la

Um arroz que ~acompanha~ a comida ao invés de apenas enrola-la

A primeira experiência então, foi despretensiosa e inesperada. Em São Paulo, conheci a rede Gendai. Esse interessante japonês-de-shopping tem opções de sushis, temakis, sashimis, mas também pratos quentes onde o arroz acompanha a carne e os legumes, ao invés de enrola-los. Delícia.

Isso tudo pra dizer que em João Pessoa eu descobri a possibilidade de algo parecido:

Temaki aberto.

A dica foi involuntária, via Facebook. Esse aí da foto acima de chama Ame Sake e está disponível no Temaki da Vila. O lugar é um dos meus preferidos na cidade (ps.: eu e Carol estamos nos organizando para listas 2013 onde faremos listas e, uma delas, será relacionada às temakerias pessoenses). Gosto da decoração e dos temakis de lá, que ainda conta com preços convidativos.

O Ame Sake é um temaki de salmão grelhado, com arroz e molho de laranja. O combo é pura alegria e a versão aberta é incrível. Vem bem mais que um temaki normal e são acrescidos, neste caso, 4 reais a mais no valor original (11,90). A quantidade é de uma refeição bem legal e vale até por um almoço, por exemplo. Por lá, o salmão vem no ponto, sem estar borrachudo e o arroz é uma delícia. Já provei duas vezes e decidi que ele não deve vir com o cream-cheese, que é opcional, mas a cebolinha deve permanecer. O molho de laranja poderia ser um pouquinho mais generoso e o shoyo com wasabi acompanha bem demais.

É, eu sei.

Tudo isso só pra dizer que gosta de comer arroz com palitinho japonês. Exatamente.

Ficam então, duas perguntas:

- Qual a sua vontade magalinesca ainda não realizada?
– Você sabe de outros lugares de João Pessoa que tenham pratos quentes japoneses, que tragam o arroz assim?

Temaki da Villa
Av. Pres. Epitácio Pessoa, 5200 – Cabo Branco, João Pessoa – PB
(83) 3247-8000

PS.: é importante ressaltar que o arroz japonês favorece o uso do ohashi e, sabendo o básico de seu uso, é praticamente como comer com garfo.

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Roccia – contemporâneo que não encanta só os olhos

Por Carol Marques

Hoje falo de uma agradável surpresa que desembarcou no extremo oriente no finalzinho de janeiro! Tive o prazer – um caldeirão cheio dele! – de ir ao almoço que o novo restaurante Roccia realizou para se apresentar à imprensa. A expectativa já era das melhores, pois sempre achei de muita qualidade o buffet da Casa Roccia, salão de recepções do mesmo dono – o admirável Onildo, que é também é chef e assina o fantástico cardápio.

Mas o local ainda conseguiu surpreender, em meio a tantos restaurantes decepcionantes abertos em JP nos últimos meses, que capricham na decoração, no conceito e até no design do cardápio – algo que me encanta e pauta para outro post -, mas pecam justamente na hora em que entram em cena as facas, o fogo e a sutileza dos temperos. Roccia não, ou pelo menos não no primeiro encontro.

Mas vamos aos pratos. Opa, antes faço questão de garantir: o sabor foi tão apetitoso quanto a apresentação sugere, você tem a minha palavra. Melhor do que descrever é mostrar fotos:

Couvert:

Grissinis, manteiga aromatizada com ervas, pérolas de frutas secas com queijo gorgonzola e pó de bacon, poá de bacalhau com azeitonas negras e lâminas de amêndoas.

Foto: Estilo Voilà

Entradas:

Ceviche de Atum ao Leite de Tigre

IPhone de Carol 027

Bolinho de Feijão Verde Recheado com Carne de Sol, Natas e Vinagrete

IPhone de Carol 030

Pratos principais:

Lagosta Grelhada com Risoto de Abacaxi e Gruyère e Torteline de Ossobuco ao Molho de Vinho do Porto (só lembrei da foto após a primeira garfada! rs).

principais ok

E o melhor de todos, Carré de Cordeiro em Crosta de Ervas com Purê de Batata Doce:

cordeiro ok

 Nesta hora, você pode estar pensando que não gosta muito dessa história de cozinha contemporânea, com “porções pra passarinho” e ingredientes exóticos. Ok, ok, tudo bem… se é assim, talvez não seja o caso de você ir lá, sendo bem sincera. Mas quem curte comer num lugar em que comida é tratada como arte, principalmente no quesito sabor, precisa visitar o novo espaço!

Para fechar o menu, todo restaurante bom que se preza deve ter opções interessantes de sobremesa, certo? Afinal, uma refeição precisa terminar em açúcar. Do contrário, o humor não é o mesmo e a ansiedade atinge níveis insuportáveis.

Com vocês: Caixinha Surpresa de Bolo de Rolo e Sorvete, Profiteroles de Café e Cartola Crumble.

IPhone de Carol 044

Agora, outro ângulo:

IPhone de Carol 045

Roccia – Cozinha Contemporânea
Av. Cabo Branco, 4542 – Hotel Cabo Branco Atlântico, João Pessoa.
(83) 8827-7480

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Veludo vermelho – arroubos de paixão por um cupcake corado

Por Carol Marques

Você tem uma diversidade pecaminosa de cupcakes ao seu dispor. Se é uma chocólatra como eu, por mais lindos e aparentemente apetitosos que os outros estejam, você não abre mão do sempre sedutor chocolate, certo? O máximo de variação que se permite é ficar com o de Nutella.

Mas às vezes o universo conspira e calha de você estar com um amigo que insiste: “prova antes o Red Velvet!”. Engolindo a resistência com certa frustração, você topa degustar o clássico americano, sem muita expectativa.

Ahn!

Eis que a melhor surpresa doce das suas últimas décadas gastronômicas se revela! o bolo corado de vermelho – a massa não leva morango, calouros! – com recheio de chocolate branco e cobertura de cream cheese não tem a cor da paixão à toa. Combinação perfeita que oferece um prazer extasiante às papilas gustativas – enganou-se quem achava que apenas o derivado do cacau era capaz disso.

A gostosura em pauta foi descoberta no Empório Cookies, um lugar que merece a visita dos pessoenses, assim como de todos os tarados por doce que pisarem na cidade. Mimosamente decorado, o ambiente torna ainda mais agradável o já tão sublime momento de açucarar o paladar. Tenho tido sonhos acordada desde então e fortes desejos durante a semana. Se isso não é amor, eu realmente não entendo coisa alguma desse sentimento encantado.

As diversas opções de cupcakes...

As diversas opções de cupcakes…

Fotos: Ricardo Oliveira

Fotos: Ricardo Oliveira

 

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Dica rápida para um almoço feliz na Sonho Doce: alcatra e um molho especial

Calma, escorre a baba. Clique na foto para ampliar, ver com zoom e deixar tudo ainda mais tenso.

por Ricardo Oliveira

Às vezes me parece que ainda é novidade pra muita gente que a Sonho Doce tem um restaurante à la carte. Pois é, ela não vive só dos seus famosos doces.

O cardápio é bem variado e salgado. O preço das carnes vermelhas bate o Tererê, por exemplo. Enquanto na praia você come um filé com 2 acompanhamentos bem servidos por 27, 28 reais, na Sonho Doce eles iniciam em 29 e podem até passar disso. Lá, para reduzir ainda mais o custo-benefício, as guarnições estão longe da ideia de bem servidas.

A dica é rápida, porém, porque recentemente voltaram a acertar no ponto de preparo dos cortes que servem.

Gosta de carne vermelha? Almoce por lá a alcatra do cardápio, vá nos acompanhamentos que desejar (na foto tem feijão verde, arroz de leite e batatas sauté) e escolha como molho de acompanhamento da carne o catupiry com ervas.

Não tem erro. Vá por mim. O único porém da jogada é que nem sempre a alcatra está molinha, o que às vezes vai exigir mais do seu maxilar. Mas se você quer moleza, peça uma tilápia, por gentileza.

Jogue o molho por cima da carne e do feijão verde e seja feliz. Essa tal combinação de queijo e ervas deles é uma coisa séria.

O prato sai por 21 dilminhas felizes.

Sonho Doce
Praça da Independência
Tambiá, João Pessoa

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Suco Bagaço e vida natural – mesmo

Uma mistura de maracujá com morango do Suco Bagaço

por Ricardo Oliveira

Você está ali de passagem pela praça de alimentação do Mag Shopping e, de repente, se depara com uma quitanda de frutas. É a casa de sucos Bagaço e tudo que você precisava para uma apresentação adequada está ali: frutas, muitas frutas, todas verdadeiras, fresquinhas, expostas por todos os lados da loja.

Peça um suco de tangerina com morango e veja o processo acontecer à sua frente. Nada de polpas tiradas de um freezer e batidas com algum sorvete. Estamos falando de cortar no balcão as tangerinas, espreme-las, selecionar os morangos (congelados) e bater com um pouco de gelo e açúcar opcionais. Descrevo aqui a preparação do suco que tomei ontem.

Ao mesmo tempo acontecia  a montagem do “Netuno”, um sanduíche natural de atum com mussarela, tomate, alface, batata palha…uma delícia. A apresentação ficou a desejar num pratinho muito pequeno e com palito “mal espetado”, fazendo com que uma das partes virasse na bandeja enquanto eu ia até a mesa. Mas era tudo, de fato, natural. Sem molhos, sem extras, sem firulas. Dentro do conjunto que parece ser o conceito da casa, tudo devidamente em seu lugar.

Os sucos? Provei 2 em dias diferentes. Sempre fui nas misturas, que me agradam. Depois que descobri os mixes com morango do Philipes, me apaixonei e experimento em outros lugares. É lá que tem umas fantásticas misturas de tangerina ou uva com morango – recomendo demais, são incríveis. Pois bem, voltando ao Bagaço…

O sanduíche de atum "Netuno"

Fui na primeira vez com maracujá e morango, batidos com leite condensado. Excelente mistura, super cremoso. Minha irmã provou acerola com morango e laranja e acho até que estava ainda melhor. Na segunda passada por lá, quando comi o sanduíche, fui de tangerina com morango e serviu para uma conclusão importante: Suco Bagaço é uma dos melhores acontecimentos de João Pessoa dos últimos anos.

O encanto da "quitanda" que é a loja

A franquia, já muito bem espalhada por todo Brasil, garante seu sucesso com um atendimento simpático, velocidade na montagem dos sucos e pratos e, obviamente, na qualidade do que vende. Melhor que isso? Só quando você sente que o custo-benefício está adequado. Os sucos de misturas custam em média R$ 7 – os simples são mais baratos. A casa ainda oferece promoções matinais com preços de 2 sucos por 1 e, no período da tarde, misturas a partir de R$ 2,99. O cardápio traz, além dos sucos, alguns sanduíches, vitaminas, saladas de frutas e tigelas. O sanduíche saiu por uns R$ 9.

Com ritmo garantido na frequência por lá, é certo que outras descobertas poderão acontecer o Bagaço voltar ao Magali. Tinha uma melancia lá, então está tudo certo.

O Suco Bagaço fica no Mag Shopping.

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Camarão Mediterrâneo e Mar Negro no Marítimos

Por Carol Marques

Sempre abro um sorriso largo quando a decisão entre amigos ou na família é comer no Marítimos. Frequento o restaurante desde a abertura, inclusive estava na première, e adoro o local mesmo quando o atendimento não satisfaz, a demora é grande ou o ambiente está muito frio. Adoro, adoro, adoro. Num desses dias felizes, estava com uma amiga e provei um prato que ainda não conhecia: o Camarão Mediterrâneo.

Embora não seja muito fã de limão, arrisquei provar acreditando que a equipe do Marítimos não passaria do ponto ao espremer o siciliano. Sorte minha ter confiado. O prato veio impecável. Molho cremoso, sabor suave, mas marcante, e camarões rígidos, mas não borrachudos. Vieram acompanhados de arroz com brócolis legítimo – daqueles que têm soltura e umidade perfeitas, e um verde fresquinho que te dá saúde só de olhar -, além de batatas fritas. Quentinhas, sequinhas e fritas em óleo novo, o que muda tudo.

Para manter o nível de satisfação do paladar, depois de raspar o prato, mergulhei de boca aberta no Mar Negro. E, embora minha sobremesa preferida do Marítimos seja outra (depois faço post sobre ela), tenho que admitir que esse brownie com sorvete de creme, chocolate derretido e castanhas moídas é um pedaço do Éden que pode ser desfrutado de colher.

 

 

Recomendo, muito, sempre. Se acontecer, por motivos incompreensíveis, de você não se deslumbrar à primeira vista, INSISTA, essa paixão vale a pena!

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Sobre

Magali com Cebolinhas é um caderno de pequenas gordices, descobertas e felicidades gastronômicas. Sem especialistas, o blog é formado por gente que gosta de comer - e isso é o bastante. Saiba a origem do nome do blog aqui. magali@diversita.com.br

Carol Marques


Carol Marques sempre teve cara de Luluzinha, mas tem apetite de Magali. Nunca dispensa a sobremesa e está sempre em busca do lugar perfeito para comer bem.

Ricardo Oliveira


Ricardo Oliveira é cinéfilo e formiga. Para ele, tudo que pode deve ter bastante açúcar: café, suco e até os doces devem ser bem doces. É do tipo que passa mal de alegria quando descobre uma nova sobremesa perfeita.